2 de abril de 2012

Chora que não passa

Hoje de manhã eu chorei com a atendente da Caixa Econômica Federal, na frente dela e de mais umas 15 pessoas. Ela me disse para ficar calma, como se fosse possível, depois de eu ter acessado o site do banco, ligado na central de atendimento e obtido a informação de que deveria ir pessoalmente até lá, ela me disse que eu deveria acessar o site ou ligar no atendimento, que ela não poderia ajudar. Looping infinito, manja?. Saí chorando e fui embora. Minha mãe me viu com olhos vermelhos, quis saber o motivo, como não fumo maconha, contei o que houve, ela lamentou não poder ajudar, disse que ficaria tudo bem e eu chorei mais um pouco, mãe, né? Dá esse efeito. Okay.

Então fui na dentista, daí ela me deu anestesia, continuava doendo, deu mais, continuou doendo, e de novo e mesmo assim ainda estava com dor. Têm coisas que não podem ser anestesiadas, é o que parece, é o que aconteceu. E o que eu fiz? Depois de um dia todo cagado, eu chorei. É, eu simplesmente chorei olhando para a dentista e tudo o que eu conseguia falar é que estava cansada de sentir dor, veja bem, CANSADA DE SENTIR DOR. Ela me abraçou e óbvio que eu chorei mais, todo mundo sabe que abraçar uma pessoa chorando é esperar cachoeira, e assim foi. Por fim fui embora, boca dormente, olhos inchados e pedindo desculpa pelo episódio vexatório.

Não bastando, minha mãe me viu de novo com os olhos vermelhos e sem entender me perguntou se eu estava com algum problema e o que eu fiz? Eu chorei, claro, porque controle é algo fora de catálogo. E daí ela insistiu em saber meu problema, mas alguém sabe como explicar para própria mãe que "o problema" na verdade são coisas como:
- uma frustração do caralho por trabalhar igual uma idiota e ainda morar com os próprios pais com plenos 30 anos;
- uma frustração do caralho por estar formada, mas ainda pagando a porra da faculdade, porque não nasci rica e tive que recorrer ao Fies para poder realizar o grande sonho cretino de ser jornalista;
- uma frustração por todos os últimos pseudos-relacionamentos que tive que, salvo um ou dois, só foderam com minha segurança, porque não sei lidar com rejeição velada, sou mais um "olha, você trepa mal, não rola" ou "desculpa, você é chata demais e gorda" ou sei lá, qualquer coisa assim, pois eu lido melhor quando as coisas são claras e com motivos pontuais, o que não acontece, claro.

Para condensar isso tudo, disse apenas que estava cansada de não ter dinheiro e ela disse que ia dar tudo certo. Que venha amanhã, porque hoje, nada certo.

4 comentários:

Gharcia disse...

Que lindo... chora desafoga... escrever também desafoga?

Anderson Lopes disse...

O choro é necessário quando a alma parece estar carregada. Alivia. Ainda mais em dias em que nada joga ao nosso favor.

Belo texto

Antônio LaCarne disse...

querida, tente ficar bem. me identifiquei com alguns dos problemas que você citou. na verdade não estou aqui pra dizer que a vida é bela ou coisa do tipo. o lance em si é sempre seguir em frente. meu ditado pra vida é esse: é preciso saber compensar o que se tem com o que se não tem.

o mundo é caótico e muitas pessoas vivem fantasias. seja você mesma e se orgulhe disso. ;)

Winnie Affonso disse...

Chorar é preciso. E é muito melhor ter crises no dentista, no banco do que guardar tudo pra si, criando aquele peso no peito insuportável e angustiante.
Outro dia fui falar de desânimo/cansaço da própria vida e ouvi que "isso é normal". Como eu me recuso a acreditar nisso, prefiro ter em mente que tá tudo uma merda (e pode até piorar), mas que em algum momento vai melhorar, nem que seja um pouco.
Então, vou torcer pra que tudo melhore pra vc. :)