11 de dezembro de 2015

Eu comecei a minha sessão de terapia chorando e, quando sai de lá e andei para longe, eu chorei de novo.

Eu coloquei os fones e fui para casa escutando música, eu queria tapar a boca dos meus pensamentos que não paravam de falar e me faziam chorar. Eu consegui parar de chorar.

Eu cheguei em casa e me ocupei, tentei não ficar sozinha comigo mesma e consegui. Eu não queria chorar.

Eu fui dormir, porque tinha sono e não queria chorar.

Eu não chorei, mas também não tive um sono bom. Acordei querendo que tudo tivesse sido um engano. Não foi.

Não há fuga que suma com algo que fez parte da sua história, é o que aprendi hoje às 5h40 de uma manhã.

25 de outubro de 2015

Evitar um coração

"... estou apenas começando a entender - não escolhemos nosso próprio coração. Não temos como nos forçar a querer o que é bom para nós ou o que é bom para outras pessoas. Não escolhemos ser as pessoas que somos."


Mas eu queria, como eu queria escolher quem eu sou, como é meu coração, como são meus sentimentos mais vergonhosos, minhas inseguranças mais pequenas, minha estupidez em chorar escondida enquanto tomo banho. Como eu queria escolher plenamente quem sou, escolher em ser a melhor pessoa, a pessoa certa.



"Não se trata de aparências externas, mas de significado interno. Uma grandeza no mundo, mas não do mundo, uma grandeza que o mundo não entende. Aquele primeiro vislumbre de alteridade pura, em cuja presença você floresce mais e mais e mais. 

Um eu que não se quer. Um coração que não se pode evitar."


Mas eu gostaria de evitar, muitas vezes gostaria de evitar meu coração.

*Trechos do livro O Pintassilgo, de Donna Tartt.

8 de outubro de 2015

De tempos em tempos

De tempos em tempos eu me sinto uma pessoa péssima, me sinto pequena, me sinto menor, um pouco errado além do tolerável. 

De tempos em tempos eu crio pra mim mesma uma espécie de lista mental de coisas que não posso falar ou fazer, porque não quero chatear as pessoas.

De tempos em tempos eu chateio as pessoas, porque não consegui manter a lista.

De tempos em tempos eu confio que vou conseguir deixar velhos hábitos para trás.

De tempos em tempos eu repito velhos hábitos.

De tempos em tempos eu não gosto de mim e me esforço para gostar.

De tempos em tempos eu gosto de mim, até fazer algo que me sinta pequena de novo.

De tempos em tempos eu escrevo aqui, porque é um espaço pequeno, como as vezes me sinto e porque é compartilhado com um grupo pequeno, no qual não tenho medo de me mostrar pequena, ainda que seja apenas uma sensação igualmente pequena.

Tudo muito pequeno.

4 de outubro de 2015

Eu descobri que existe um jeito errado de amar e descobri que eu não sei fazer do jeito certo.

E absolutamente não sei o que fazer, porque, embora certas mudanças sejam possíveis, eu me sinto neste momento meio incapaz em aprender a amar de um jeito bonito.

Acho que meu amor é espinhoso.

1 de outubro de 2015

Terapia

De tempo em tempo eu sinto saudade da minha psicóloga. Estava tentando entender porque sinto tanta falta e porque não é a mesma coisa que conversar com um amigo.

Eu não tinha medo de ser eu mesma e correr o risco dela me julgar mal e se afastar. Ela não me amava, então não precisava tomar cuidado com quem eu era. Não tinha medo em me mostrar, eu não perderia nada. Na verdade só ganhava.

A saudade dela talvez seja de mim, talvez seja apenas egocentrismo meu...

22 de setembro de 2015

Eu, primeira pessoa do singular

Quando eu passei por reeducação alimentar, escutava: nossa, sua nutricionista deve ser ótima.

Sim, ela é, mas quem quis e se esforçou para mudar fui eu.

Quando estava deprimida e fiz terapia, escutava: nossa, sua psicóloga deve ser ótima.

Sim, ela é, mas quem quis e se esforçou para mudar fui eu.

Agora me falam que meu namorado deve ser ótimo, porque eu mudei e estou linda.

Sim, ele é, mas quem quis e se esforçou para mudar fui eu.

Eu ainda estou em primeiro lugar na minha vida, não tira minha autonomia, por favor, porque eu não permito isso.


28 de agosto de 2015

Que fragilidade

Esses dias escutei de alguém que me conhece bem que tô muito fragilizada, que isso é perceptível. Fiquei meio surpresa, não achei que fosse.

Me disse também que não acha isso bom, porque assim me machuco demais, já que tudo me afeta em outra proporção.

Sim, eu tô mesmo fragilizada com algumas coisas, entre elas a coisa da autoimagem, mas eu não consigo falar disso muitas vezes. O motivo? Parece algo idiota demais e quase sempre que falo sobre, sinto que há uma tentativa de diminuir o que eu sinto, justamente como se fosse besteira da minha parte, como se fosse coisa pequena.

Eu engordei 5kgs e desde então sigo brigando comigo. Se por um lado tento acreditar que posso sim ser bonita com 5kgs a mais, que posso sim me amar como estou, do outro lado, tem uma voz que diz que estou relaxada, que com certeza estou assim porque estou namorando e que já não me cuido mais ou não ligo para minha aparência. Que é muito feia a minha postura, que eu deveria emagrecer o que engordei e que tô feia.

É conflitante e eu, que tento tanto acreditar na idéia da pluralidade e que a beleza também está fora dos padrões, não consigo seguir forte, me sinto fraca, me sinto fraude.

A gente lê sobre empoderamento feminino, sobre como devemos nos ajudar, mas eu não tenho conseguido. Quando alguém me diz que sou bonita, muitas vezes penso que a pessoa está mentindo, que está justamente falando para tentar me deixar feliz.

E quando eu consigo ter coragem em dizer o que sinto, tenho a clara impressão de que a solução que me dariam é simples: emagrece, Camila.

E não, não é simples, é muito mais do que emagrecer, não quero me sentir mal toda vez que o ponteiro sobe na balança, não é possível que eu condicione meu bem estar a um número, não é...

Mas eu não tô conseguindo dar conta disso, minha cabeça não para já tem semanas, eu não durmo bem e tenho pesadelos.

Junto a isso tudo, eu tô com pedras na vesícula, minha cirurgia será semana que vem, mas eu venho passando mal e a fragilidade parece que só aumentou.

Eu escrevo aqui, neste blog, porque ele é mais pessoal, é mais fechado e porque é difícil falar sobre isso para todo mundo, não quero me explicar para quem não me entende, mas hoje, especialmente, precisava "falar" mesmo que escrevendo e também na esperança de que me lendo, eu consiga mudar as coisas mais rápido. Quando a gente se lê é meio como se enxergasse estando de fora. Eu acho.