27 de março de 2016

Outra

Na maioria dos dias eu gosto de quem eu sou, mas às vezes, devido algumas circunstâncias, eu gostaria de ser diferente, queria ser outra.

Não é algo que pode dizer apenas "então muda, ué", é algo mais intrínseco, é mais difícil, talvez porque eu queria não ser "eu" e para isso não tem muita mudança, né?

Algumas vezes fantasio pensando em como seria não ser eu, ter outros defeitos que não os meus, outras inseguranças que não as minhas. Fantasio que ser outra pessoa seria melhor. 

E se eu fosse mais bonita? E se eu fosse magra? E se meus peitos fossem menores? E se eu fosse uma pessoa genial? Dessas que ganham prêmios com 15 anos?

E se eu fosse uma dessas pessoas totalmente seguras de si? Ou se pelo menos eu fosse uma dessas pessoas que conseguem fingir que são totalmente seguras de si? 

Eu sei que é mentira, mas penso nesses absurdos, se eu seria mais feliz se fosse diferente do que sou e o que aconteceu para me tornar quem eu sou? Porque não sou melhor do que sou? Em que momento eu duvidei de mim e acreditei que não sou boa o bastante? Quando isso aconteceu? Foi na infância? Foi na adolescência? Ou será que nasci assim? Porque não consigo ser de outra forma?





11 de dezembro de 2015

Eu comecei a minha sessão de terapia chorando e, quando sai de lá e andei para longe, eu chorei de novo.

Eu coloquei os fones e fui para casa escutando música, eu queria tapar a boca dos meus pensamentos que não paravam de falar e me faziam chorar. Eu consegui parar de chorar.

Eu cheguei em casa e me ocupei, tentei não ficar sozinha comigo mesma e consegui. Eu não queria chorar.

Eu fui dormir, porque tinha sono e não queria chorar.

Eu não chorei, mas também não tive um sono bom. Acordei querendo que tudo tivesse sido um engano. Não foi.

Não há fuga que suma com algo que fez parte da sua história, é o que aprendi hoje às 5h40 de uma manhã.

25 de outubro de 2015

Evitar um coração

"... estou apenas começando a entender - não escolhemos nosso próprio coração. Não temos como nos forçar a querer o que é bom para nós ou o que é bom para outras pessoas. Não escolhemos ser as pessoas que somos."


Mas eu queria, como eu queria escolher quem eu sou, como é meu coração, como são meus sentimentos mais vergonhosos, minhas inseguranças mais pequenas, minha estupidez em chorar escondida enquanto tomo banho. Como eu queria escolher plenamente quem sou, escolher em ser a melhor pessoa, a pessoa certa.



"Não se trata de aparências externas, mas de significado interno. Uma grandeza no mundo, mas não do mundo, uma grandeza que o mundo não entende. Aquele primeiro vislumbre de alteridade pura, em cuja presença você floresce mais e mais e mais. 

Um eu que não se quer. Um coração que não se pode evitar."


Mas eu gostaria de evitar, muitas vezes gostaria de evitar meu coração.

*Trechos do livro O Pintassilgo, de Donna Tartt.

8 de outubro de 2015

De tempos em tempos

De tempos em tempos eu me sinto uma pessoa péssima, me sinto pequena, me sinto menor, um pouco errado além do tolerável. 

De tempos em tempos eu crio pra mim mesma uma espécie de lista mental de coisas que não posso falar ou fazer, porque não quero chatear as pessoas.

De tempos em tempos eu chateio as pessoas, porque não consegui manter a lista.

De tempos em tempos eu confio que vou conseguir deixar velhos hábitos para trás.

De tempos em tempos eu repito velhos hábitos.

De tempos em tempos eu não gosto de mim e me esforço para gostar.

De tempos em tempos eu gosto de mim, até fazer algo que me sinta pequena de novo.

De tempos em tempos eu escrevo aqui, porque é um espaço pequeno, como as vezes me sinto e porque é compartilhado com um grupo pequeno, no qual não tenho medo de me mostrar pequena, ainda que seja apenas uma sensação igualmente pequena.

Tudo muito pequeno.

4 de outubro de 2015

Eu descobri que existe um jeito errado de amar e descobri que eu não sei fazer do jeito certo.

E absolutamente não sei o que fazer, porque, embora certas mudanças sejam possíveis, eu me sinto neste momento meio incapaz em aprender a amar de um jeito bonito.

Acho que meu amor é espinhoso.

1 de outubro de 2015

Terapia

De tempo em tempo eu sinto saudade da minha psicóloga. Estava tentando entender porque sinto tanta falta e porque não é a mesma coisa que conversar com um amigo.

Eu não tinha medo de ser eu mesma e correr o risco dela me julgar mal e se afastar. Ela não me amava, então não precisava tomar cuidado com quem eu era. Não tinha medo em me mostrar, eu não perderia nada. Na verdade só ganhava.

A saudade dela talvez seja de mim, talvez seja apenas egocentrismo meu...

22 de setembro de 2015

Eu, primeira pessoa do singular

Quando eu passei por reeducação alimentar, escutava: nossa, sua nutricionista deve ser ótima.

Sim, ela é, mas quem quis e se esforçou para mudar fui eu.

Quando estava deprimida e fiz terapia, escutava: nossa, sua psicóloga deve ser ótima.

Sim, ela é, mas quem quis e se esforçou para mudar fui eu.

Agora me falam que meu namorado deve ser ótimo, porque eu mudei e estou linda.

Sim, ele é, mas quem quis e se esforçou para mudar fui eu.

Eu ainda estou em primeiro lugar na minha vida, não tira minha autonomia, por favor, porque eu não permito isso.