26 de maio de 2015

Entre o ser e o não

A semana passada foi muito difícil, foi porrada atrás de porrada e eu não aguentei, chorei pelo menos em 4 dias e quis desistir de tudo nos dias úteis.

Eu não desisti, mas não foi porque sou forte, mas porque ainda que desistisse, não saberia o que fazer. Eu sinto falta de um plano, de uma meta, de algo que motive e eu não acho nada. 

Eu não tenho um plano e aparentemente minha vida está meio vazia em alguns aspectos, mais especificamente no aspecto prático.

Porque estou trabalhando? Para que? O que pretendo construir? O que pretendo fazer da minha vida profissional? Não sei.

Onde me imagino daqui a 5 anos? Prefiro dizer que não sei, tenho medo de responder, porque talvez o que almejo não aconteça. 

Eu voltei de uma viagem que mexeu comigo e aparentemente me perdi em algum lugar, alguma coisa aqui dentro parece que quebrou, mudou drasticamente e eu não me reconheço com tanta facilidade, não sei mais ser quem eu deveria ser.

13 de maio de 2015

Um contrato

Todo mundo já escutou a máxima "seja quem você é", como se houvesse possibilidade real de ser outra pessoa, não é mesmo? Mas sabe, mesmo sabendo que isso é impossível, às vezes rola vontade de não ser.

É um pouco triste perceber que a sua forma de lidar com algumas coisas incomoda quem você gosta, afinal, o que você pode fazer? Ser outra pessoa? Acho que não.

Eu estou há uns dias meio mal, passeio por uma sequência de coisas e pensamentos que me colocaram numa posição ruim, quando isso acontece, da forma como aconteceu, eu acabo demorando um tempo maior para me reconstituir, para voltar ao eixo.

Acontece que as pessoas tendem a perder a paciência com isso e eu entendo, ninguém gosta de lidar com pessoas xoxas e chorosas, é chato, eu sei. Daí falam para eu ficar bem, eu sei que falam isso para o meu bem, mas a urgência para que eu melhores às vezes me deixa mais angustiada ainda, porque eu não consigo de um dia para o outro ficar bem e acabo me sentindo pior, uma mistura de fraca por não ter essa força que quem me sugere tem e meio inútil por deixar quem eu gosto preocupado e chateado.

Hoje eu passei o dia na cama, acordei com uma dor de cabeça como há tempos não tinha e fiquei de cama, não fui trabalhar. Entre sentir dor, chorar e ficar deitada, eu pensei bastante. Ainda tento entender porque certas coisas ainda ecoam em mim, porque me machucam tanto e porque não consigo simplesmente esquecer.

Muitas vezes eu estou bem, daí vem um pensamento, uma lembrança, uma frase dita, coisas que me machucaram, elas vêm do nada e eu fico triste. Eu não sei porque isso acontece, mas acontece. Eu tento controlar, tento me apaziguar, mas é cansativo, é como lutar comigo mesma, é como lutar dos dois lados, apanhar dos dois lados, defender dos dois lados.

Eu decidi que quero ficar bem, como eu estava antes e estou escrevendo isso aqui porque quando as palavras saem de mim e ficam expostas, é como se fosse um contrato, algo que eu terei que cumprir.

Escrevo na esperança de ficar bem logo. Escrevo para que meu corpo não adoeça. Escrevo porque tem diferença entre ser e estar triste. Eu estou, mas tenho certeza que meu estado não é permanente.

11 de maio de 2015

Cristo e eu

Eu acordei meio xexelenta, meio sentindo que minha vida tá besta, tá vida de formiga, tá no limbo.

Não tenho grandes planos futuros, não vou comprar um carro, nem uma casa, também não vou alugar um canto para chamar de "meu". O primeiro eu até posso, mas não quero, o segundo e o terceiro eu quero, mas não consigo de forma alguma.

Não vou adotar um gato porque não tenho casa para isso, não pretendo viajar esse ano porque acabei de voltar de férias. Pensei em fazer uma pós graduação, mas não sei em que isso efetivamente me ajudaria, a ter um salário melhor e poder comprar um apartamento? Bom, pelo menos não perdi o senso de humor, tô fazendo piada.

Cristo aos 33 anos morreu e ressuscitou, eu ainda moro com meus pais em São Bernardo do Campo, escrevo em blogs para não pirar totalmente, choro escondida e finjo que é gripe. 

Queria saber onde está a minha semelhança com Cristo, não que eu queira morrer, não curto essas paradas, mas sei lá, poderia pelo menos transformar água em vinho e ficar meio bêbada, meio alegre, só de boa por aí.

5 de maio de 2015

Desalinho

Tenho a impressão de que alguma coisa mudou em mim, desarrumou algo, estilhaçou. E eu que sou tão boa em organização, não estou conseguindo arrumar a bagunça que eu mesma fiz e nem colar as peças que quebrei. Poderia jogar os cacos debaixo do tapete, mas sei que vou pisar neles mais cedo ou mais tarde, sei que vai machucar... de novo.

Não são todos os dias que acredito ser capaz. Queria ter metade da fé que tenho nos outros, em mim.

 

22 de fevereiro de 2015

O burrinho

Quando eu era criança tinha um álbum de figurinhas que chamava "Filhotes fofinhos" eles realmente eram fofinhos, as figurinhas eram peludinhas. Eu adorava!

Um dos filhotes era um burrinho chamado Pupo, isso aí, meu sobrenome e eu achava o máximo um burro chamar Pupo. Bom, cada personagem tinha uma história e sempre tinha uma lição de moral no final.

O Pupo era um mentiroso compulsivo, contava mentiras para tudo. Até que um dia, aconteceu algo grave de verdade e ele foi buscar ajuda dos seus amigos. Mas como ele sempre mentia e todo mundo já estava esperto com ele, ninguém acreditou e o Pupo se fodeu. Não lembro bem o que aconteceu com ele, só que ele, tadinho, se lascou.

A moral da óbvia da história é que contar mentiras é uma coisa muito ruim, a moral implícita é que quando você comete um mesmo erro algumas vezes, você possivelmente vai criar um precedente bem chato de lidar. Mesmo que você não esteja fazendo aquela cagada que já fez antes, vão desconfiar que você está sim, porque aprender que padrões se repetem e se defender disso, é reação.

Logo na minha primeira sessão de terapia tive que falar com qual animal me identificava, disse que era um gato. Hoje, se me perguntassem isso novamente, diria que me identifico com o Pupo, o burrinho. Não pela mentira, mas por me foder em repetir o mesmo erro algumas vezes e não saber como lidar com esse precedente.

Olha o álbum :)

E algumas das figurinhas, mas não tem do Pupo, descobri que eram as mais difíceis de achar.

21 de fevereiro de 2015

Um blog novo

Oi.

Esta é uma postagem para avisar que fiz um blog novo.

Não, este aqui não está esquecido nem abandonado, ele apenas ficará como sempre foi, mais pessoal, mais mimimi, mais eu choramingando quando for preciso, desabafo para não explodir :)

Ele chama Abobrinhas Consistentes, se quiser, passa lá :)

Beijo!

12 de fevereiro de 2015

Um calorzinho sem vergonha

Quando eu era mais nova adorava o frio e obviamente que odiava o calor. Não gostava de jeito nenhum, falava mal, achava chato, era aquele discurso já manjado de quem curte frio. 

Daí que passei por uma fase complicada lá pelos 29 anos [aquele abraço para o retorno de saturno]. Terminei a faculdade, fiz terapia, passei por mudanças significativas, fiquei mal, fiquei bem, fiquei mal pra caralho e daí fui melhorando.

Final de semana passado eu sai usando uma regata. Eu tenho 33 anos e foi a primeira vez que usei uma regata. O motivo de não ter usado antes? Vergonha do braço gordo, vergonha de mostrar como sou e o que sou. Quando a gente é mais nova ou imatura demais para entender o próprio corpo, a gente quase acredita que com a roupa certa, vamos parecer outra pessoa. 

Quase acredita que no frio, com aqueles 500 casacos nos cobrindo dos pés a cabeça, as pessoas não vão notar nossas gorduras, não vão perceber que temos barriga, que temos dobras, que temos braço roliço.

Bom, é mentira. No frio a gente continua gorda, nada disso muda. Nadinha. Hoje percebo que meu discurso de adoração pelo frio veio daí, veio dessa ideia de que me escondendo, talvez eu parecesse diferente, menos gorda, menos eu.

Lá com 30 anos, quando passei por um processo de reeducação alimentar que resultou no emagrecimento de mais de 10kg e que veio no caminho para me gostar mais, eu entendi isso, eu entendi o porque eu não gostava do calor, porque odiava praia, sol e qualquer coisa que me obrigasse a mostrar meu corpo, a ficar mais peladinha.

Era vergonha, dessas que te faz querer ser diferente e chorar por não conseguir se encaixar no que é padrão. Eu sei que esse assunto de falar sobre o próprio corpo e aceitação já tá manjado, mas continuo achando importante falar sobre isso.

Em menos de 30 dias eu saio de férias e um dos lugares que vou tem apenas as praias mais bonitas do mundo. Eu vou usar roupa de praia, mas eu ainda não consigo usar biquíni, tenho vergonha, vou usar maiô, um passo por vez.

Vai ser ótimo, vai ser lindo, vai ter calor de quase 40ºC e vai ter eu com roupa de praia mostrando meu corpo por aí, suando nas regatas, andando descabelada e feliz.

Eu gosto da ideia. Gosto de me ver hoje ousando deixar minha vergonha de lado, mesmo que ainda não consiga usar biquíni, mas já faço muito mais do que fazia há 3 anos, hoje eu me permito muito, corro muito mais, me gosto muito mais :)

É muito válido o esforço em ser uma pessoa sem vergonha, ainda mais com esse calorzinho tropical.