21 de fevereiro de 2012

Grau de correção


O astigmatismo é uma deficiência visual, causada pelo formato irregular da córnea ou do cristalino formando uma imagem em vários focos que se encontram em eixos diferentes.

A miopia é o distúrbio visual que acarreta uma focalização da imagem antes desta chegar à retina. Uma pessoa míope consegue ver objetos próximos com nitidez, mas os distantes são visualizados como se estivessem desfocados.

Acho que muito da minha vida se resume bem nisso, deve ser este o motivo de tanto engano, de tanta imagem equivocada, de tanto tropeço.

Quando acho que tem um foco, na verdade são vários, mas todos desencontrados. Quando consigo focar apenas um, ao me aproximar, percebo que enxerguei errado, foi uma ilusão, um borrão do que imaginava ser.

Eu nunca irei ver algumas pessoas sem óculos, para isso é preciso proximidade e sei que simplesmente não chegarei nessa condição, resultado da barreira de quem prefere ver tudo pelas lentes da casualidade, o que eu entendo, é claro, afinal eu as usei por um bom tempo também. Mas agora eu sinto que preciso ver as coisas de outras maneiras, talvez o meu grau tenha aumentado, quem sabe?

De toda forma, é hora de trocar as lentes, essas que você continua usando, mas que pra mim, não servem mais.


4 de janeiro de 2012

Administração de Deus

Desde sempre eu quis fazer Jornalismo, não lembro bem quando foi o estopim, mas creio que o mais próximo que já cheguei tem relação com Iron Maiden, mas isso foi escrito aqui. Entretanto, na jornada para conseguir tal feito, eu fiz História e parei, ainda lamento isso, é um curso apaixonante, mas antes fiz técnico em Administração de Empresas, oi? É, pois é, um dos mistérios da minha vida. Tentei lembrar qual foi a linha de raciocínio que me levou a tal coisa e a lógica era que, com o curso eu conseguiria um trampo melhor e, consequentemente teria grana para pagar Jornalismo. Taí, mais um das grandes ideias que tive e não teve nenhum Pedro para me mostrar que era cilada.

Eu dei essa volta porque ouvi Marisa Monte hoje e lembrei de um dos micos da minha vida, ele está diretamente ligado ao bendito curso e quero compartilhar, sei lá porque, na verdade acho que é porque tive um ataque de riso no banho agora pouco lembrando.

Perto do término do curso, o professor que era também o coordenador, teve a ideia de fazer um amigo secreto. O nome dele era "alguma coisa de Deus", tipo "José de Deus"[essa informação é importante para o contexto da história]. Eu, que nunca me senti muito parte de grupo algum e passava por uma fase "Preciso me encontrar" resolvi entrar.

Não lembro quem eu tirei, mas lembro que pedi um CD da Marisa Monte. O amigo secreto foi indo, indo e eu lá, sem presente e o homem lá de Deus com um presente. Eu angustiada porque não tem coisa pior que ser a última a sair no amigo secreto, sempre tenho a constante sensação de que vão acabar as pessoas, os presentes e vão me olhar e falar "Hummm, poxa, hein! Te esqueceram, toma aqui uma bala".

Bom, aconteceu meu pesadelo, eu fui a última. Restavam na sala eu, sem presente e o professor, com um presente, ao passo que para me poupar de qualquer constrangimento comecei a me adiantar de leve, como quem diz "tá, já sei que você me tirou, entrega essa merda logo" mas num ímpeto do Capeta o professor ergue a mão e me manda ficar no meu lugar.

Pânico! Pânico na zona sul [tô cheia de referências hoje] meu coração palpitou, pensei que dali em diante procuraria uma terapeuta, o trauma da pessoa sem presente, eu sentindo que estava ficando vermelha, todo aquele bando de pseudos-administradores me olhando, aqueles olhos contábeis contando meus segundos, foi horrível, mas não estava preparada para o que viria.

O professor, fulano de Deus, caminhou até o centro do círculo de pessoas, me olhou nos olhos [juro] perante todo mundo e declamou:

"Milla...
Agora vem, pra perto vem
Vem depressa, vem sem fim
Dentro de mim
Que eu quero sentir
O teu corpo pesando
Sobre o meu."

Com um sorriso cretino, me chamou com as mãos e disse "vem pegar seu presente" e me abraçou ao som de um bando de gente fazendo "aeeee, uhuuuuu, ihhhh, óóó já era" e todos os sons dos quais eu fugi pela adolescência inteira. Não preciso nem falar na quantidade de piadas que ouvi falando sobre eu aceitar o corpo de Deus e derivados, preciso? E ainda perguntam porque sou atéia.

28 de dezembro de 2011

Chega mais

Sou do tipo que adora morder as beiradas do copinho plástico de café e que sente um prazer infantil em ouvir as folhas secas fazerem "crec" ao pisar nelas. Fico contente quando consigo tirar o esmalte todinho da unha com o dente. No frio, gosto de deitar na cama e fazer uns grunhidos me aninhando. Gosto de ler anúncios no jornal enquanto eu como na mesa. No banho, eu tampo os ouvidos com os dedos, deixo a água cair na cabeça e fecho os olhos, parece que estou submersa, talvez no útero fosse assim.

O cheiro novo ou velho de um livro quase sempre me traz alguma sensação. Adoro puxar pelinhas da boca, embora o dano nem sempre compense, mas sou meio masoquista (quem não é?), aliás, gosto da sensação de poder e controle que tenho depois de superar uma dor. Ouvir o celular avisando que chegou SMS sempre me dá empolgação, ainda que por breves momentos e a mensagem seja da operadora. Gosto do arrepio que sinto quando passo hidratante frio na pele e nada me amolece mais do que um gato ronronando.

Esse é meu texto de retrospectiva, nada do que foi, apenas um pouco do que sou.

Oi, 2012.
Prazer.

15 de dezembro de 2011

Nada além

Hoje tudo o que quero é banho quente e cama.

Quero me dar carinho, ficar quieta e deitada encolhida.

Quero mentir mentalmente mil vezes que eu aguento tudo isso sozinha, até chegar o momento de dormir acreditando.

É esse meu plano para hoje.

Nada além, porque nunca é.

23 de novembro de 2011

Top top top...hu.

Meu chinelo arrebentou hoje, cheguei cansada, coloquei no pé, dei dois passos e quebrou. A minha reação foi a mais racional possível, eu chorei. Tirei ele e fiquei olhando, pensando em colar, quem sabe tem conserto? Desisti em seguida porque certas coisas não se consertam, não há salvação, não há cola que grude e desfaça o estrago. Gostava dele, laranja, semi fluorescente, com o nome em dourado, achei diferente assim que o vi e ainda comprei porque tinha a designação de"Top" era o melhor da linha, uma boa publicidade eu diria. É, eu gostava dele. Viajamos juntos, tomamos banhos juntos, descansei com ele no fim de tantos dias e agora ele não passa de algo que foi bom, mas não serve mais, quebrou, né? Até posso colar, mas vou ter medo de usar, vai que ele arrebenta de novo?

Então foi isso, eu chorei porque meu chinelo quebrou. O que um chinelo não faz com a gente, né?

20 de novembro de 2011

Stuck in the middle with you

As coisas vão acumulando, mas a gente ignora, aprende a ignorar, deixa de se importar e se convence que não liga mais. Fala que passou, que não tem efeito algum. Sorri quando tentam te ferrar, dá uma gargalhada quando aquela pessoa não surpreende mais sendo a filha da puta que sempre foi e ainda pensa consigo "porque mantenho contato?". É, honestamente não sei, talvez masoquismo seja um traço mais forte do que eu imaginava, algo que vai além da luz baixa, quem sabe.

Tem umas três semanas que eu limpei meu montinho de coisas, joguei tudo de volta para quem me deu. Eu faço essa limpeza de tempos em tempos, mas agora é o momento de voltar acumular, estou zerada, quer dizer, quase, porque já tem umas coisas na nova pilha de acontecimentos, mas estou naquele período em que apenas sorrio e finjo que não me afetou. Talvez você ainda não saiba que eu sou assim, mas eu estou avisando que eu sou esse tipo de pessoa, sou do tipo que fica com raiva e responde tudo com indiferença, é minha forma imbecil de fingir que não ligo pra você, mas eu ligo sim, tanto que, veja bem, ainda mantenho contato e, não bastando isso, escrevo um texto e ainda posto.



20 de outubro de 2011

You can't

Atualmente eu tenho vários motivos para estar super feliz, sorrindo, quase cantando por aí. Mas acontece que basta uma coisa para me deixar mal, uma coisa que não deveria me afetar, porque já machucou antes e eu tinha prometido não deixar machucar de novo, mas eu minto pra mim mesma com uma habilidade incrível, tão incrível quanto a habilidade que tenho em me enfiar em situações altamente destrutivas.

No final a coisa é simples, se você me machuca é porque eu deixo, porque eu finjo que aguento, finjo que sou forte, porque eu odeio admitir que dói pra caralho seu comportamento, mas a minha covardia é tanta que eu nem consigo dizer isso a você, eu escrevo aqui sabendo que você nunca vai ler e, se ler, vai fingir que não leu, assim como eu que vou fingir que não escrevi.

É tudo tão surreal quanto acordar um dia feliz da vida ouvindo Little Joy para de noite ouvir Smiths e chorar sozinha com raiva de si mesma, mas para tentar mudar, vou procurar fazer como a querida da Renata, vou parar de fazer o Morrisey para tentar fazer o Mick.