23 de outubro de 2014

Miscelânea

Eu já sei que criar expectativas não é bom, a vida diz isso, as pessoas e toda a internet afirmam o mesmo. Mas sabe, eu acho que não é bom criar muita expectativa, mas sei lá, criar nenhuma também acho meio descaso.

Se não tem expectativa alguma, um propósito, uma aspiraçãozinha do que pode vir a ser, qual o motivo? Eu não sei se isso é coisa de gente controladora, mas expectativa zero me dá a sensação de que tô remando para o vazio, eu gosto de remar sabendo que minha vida depende disso ou que lá na frente tem algo me esperando, remar por remar, não me motiva, eu acabo querendo dormir em alto mar e posso até morrer afogada, já que nem sei nadar.
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Eu sei que tenho uma tendência a ser briguenta, a discutir, a criar caso só por diversão, só porque eu gosto de testar meu poder de argumentação. Sou meio arrogante assim e acabo arriscando muito por isso às vezes e também porque o silêncio me deixa entediada, eu aprendi que é melhor queimar no uso, que mofar guardado, e eu me queimo falando tudo o que penso, e também queimo os outros assim. Possivelmente eu aprendi isso errado, certos pensamentos têm mais serventia mofados.
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Domingo tem eleição, os ânimos estão alterados e eu acho que também estou. Democracia é fácil quando vai de encontro ao que você pensa, quando você percebe que a realidade pode não corresponder a sua expectativa, ficamos bravos e ofendidos pelas ideias opostas, me incluo nessa. Mas tô tentando respirar e respeitar ideias que parecem avessas ao que penso. O mundo não iria girar se pensássemos todos iguais. A propósito, como em 2010, voto na Dilma, como justifiquei aqui e meu pensamento não mudou muito. 
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Ah, sim. Agora eu tenho 33 anos, não sei o que isso significa, acho que nada, apenas que fiquei mais velha. Teve aprendizado? Teve sim, claro, e isso é bom, mas teve também muito desapontamento, muita resiliência, nem sempre obtida com facilidade. Ainda tem bastante frustração, ainda tem bastante medo, insegurança e vontade de chorar no meio da tarde. Ainda tem isso tudo, isso tudo que talvez seja eu, que talvez eu não queira mudar, já que me acompanha por 33 anos. Ainda tem eu rindo de mim mesma com 15 anos, porque imaginava que quando fizesse 30 seria uma mulher muito madura, muito certa do que quero e de quem sou. Hoje, a única certeza que eu tenho é de que a pessoa que me imaginei quando adolescente, simplesmente nunca irá existir. E tudo bem sobre isso. Tudo bem.





15 de outubro de 2014

Medinho

Às vezes eu penso ou vejo algo bobinho e quero contar, quero mostrar pra ele. Normalmente são coisas relacionadas a "nós", mas daí fico com medo de parecer indireta, cobrança ou qualquer coisa do gênero.

Como quando eu mandei um site que vendia alianças com os dizeres "Moon of my life" e "My sun and stars", do Game of Thrones e também do Harry Potter, mandei porque achei incrível o nicho criado, mas assim que enviei, achei que pareceria uma indireta maluca de uma pessoa que quer uma aliança, mas nem era, mesmo porque, já usei bastante tempo uma e tudo o que ela me trouxe foi uma marca chata no dedo, não existe uma serventia real. Há quem fale de ato falho, eu sei, mas não acho que seja o caso. 

Eu tenho uma tendência de conjugar muito o "nós", não sei até que ponto isso é seguro, até que ponto isso é invasivo, até que ponto isso me invade. Não sei se isso é bom. Não sei mesmo.


13 de outubro de 2014

Esses dias

Amanhã é meu aniversário, eu esperei ansiosa o ano todo por ele, porque desde os 30 anos eu tenho gostado de comemorar, mas daí que veio chegando o dia, eu fui azedando e deixei de lado inclusive a ideia de festejar em algum lugar. 

Eu sei que consegui bastante coisas, sei dos meus méritos, mas parece que de repente ficou parecendo tudo meio bobo e eu só consigo pensar em tudo o que ainda não consegui. 

Eu vou fazer 33 anos, é estranho. Espero que amanhã eu acorde mais animada.



I've been out walking
I don't do too much talking
These days, these days.
These days I seem to think a lot
About the things that I forgot to do
And all the times I had the chance to.*

8 de outubro de 2014

Às vezes eu sou ciumenta, claro que eu sei que não é bacana, mas daí eu sempre lembro do que li na Feira Plana: ciúme é ciumilha.

De forma bem simples e sem muita análise, é uma grande bosta. Apenas.




3 de outubro de 2014

Eu ia escrever umas coisas, mas daí achei isso e serve bem. Sim, eu curto essas paradinhas motivacionais, autoajuda. Sou meio breguinha.





1 de outubro de 2014

Talvez eu reclame demais, talvez eu seja assim, talvez abandonar as características que me constituem como pessoa, pelo menos a que conheço, não seja tão fácil.

Às vezes é difícil não ser quem você tá acostumada a ser. É um pouco cansativo brigar tanto consigo mesma.

29 de setembro de 2014

Vontades, sonhos e derivados

Eu não deveria, mas eu fico vendo apartamentos que nunca terei e preços de aluguéis que não sei como poderia pagar.

Eu tenho visto móveis e utensílios de cozinha. Eu me apaixono por eles e fico imaginando minha vida nesse apartamento imaginário que eu gostaria de morar.

Eu tenho pensado em como seria chegar nesse canto depois de um dia de trabalho, em como seria optar ou não por cozinhar todo dia. Fico pensando como seria lavar minha roupa sozinha e, acima de tudo, eu penso muito, mas muito mesmo, em como eu vou conseguir isso tudo.

Mas eu ainda não sei, só sei que hoje eu me apaixonei por uma cama. Ela já faz parte do meu imaginário. Ela é linda, tão linda que eu até me arriscaria a pagar prestações por ela. Se eu fecho os olhos, consigo me imaginar chegando em casa, tirando a roupa, tomando banho e me jogando nela.

Certas vontades não têm senso de realidade, se elas não são condizentes de forma prática com a sua própria vida, possivelmente vão morrer no campo das vontades, dos sonhos e tal.