18 de novembro de 2014

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Amanhã nós vamos fazer um ano juntos e eu gosto de lembrar de quando nos conhecemos, que mal nos falamos e você me chamou para viajar contigo, e em como eu achei engraçado você mal me conhecer e me convidar para algo assim.

Eu gostei de você logo de cara, você me fez rir fácil, mas me deixou nervosa por ser assim, fiquei com medo de me apaixonar e me machucar. Entramos no cinema, Capitão Phillips, que filme tenso e você pegou na minha mão. Na hora eu desliguei do filme, eu só pensava "Meu deus, o que ele tá fazendo? Porque tá pegando na minha mão? Porque?". 

Hoje você já sabe que eu acho o ato de pegar nas mãos algo muito simbólico e não gosto de andar de mãos dadas com quem não confio, dar as mãos é coisa séria, mas você não sabia disso naquele dia e mesmo assim, antes de me beijar, segurou minha mão e eu deixei.

Quando você me beijou, eu esqueci mais ainda do filme, mas quando paramos, no meio daquele sorriso sem graça, típico de quem acaba de se beijar pela primeira vez, eu só conseguia pensar no quanto eu poderia me foder, mas assim mesmo, me foder, me machucar pra caralho, exatamente com essa intensidade, porque seu beijo casou tão bem com o meu, que eu seria capaz de apenas te beijar por bastante tempo, ainda sou e pensei na gravidade de perder isso depois de me apaixonar.

Eu gosto de como nossa história começou, gosto de saber que, ainda que todos os meus medos fiquem entre nós muitas vezes, nenhum deles fez você se afastar. Eu gosto da sua força, gosto de saber que não te assusto, embora meu senso de autossabotagem às vezes tente fazer isso, te assustar. Eu gosto da minha força quando estou contigo, gosto de saber que por você e com você enfrento muitos dos meus medos.

Você já sabe que me apego em palavras, que sou assim e talvez não perceba o quanto as suas me marcam, muitas vezes acho que você diz coisas sem pretensão alguma, mas elas ficam gravadas comigo.

Como quando você falou de wabi-sabi e falou que eu era perfeita na minha imperfeição ou quando eu reclamei do meu cabelo, que tinha uma curva feia na frente e você me disse "curvas são sempre bonitas, deixa seu cabelo assim". 

Com todos meus medos e inseguranças, eu acredito na gente.
Com todo meu amor e carinho, eu acredito na gente.
Com todos os riscos por um amor assim declarado, eu acredito na gente.

Obrigada por este um ano ao seu lado. Te amo.



[Eu declarei uma pausa em escrever aqui, mas por um motivo óbvio, quebrei a promessa.]

30 de outubro de 2014

Até logo

É uma postagem de aviso, é um último desabafo, embora fico rindo aqui com minha arrogância de achar que este espaço presunçoso precise de tal coisa, como se alguém fosse sentir falta, como se eu quisesse disfarçar que é só uma forma egocêntrica de escrever, ser lida e gostar de ser compreendida por alguém.

De toda forma, o aviso é que não vou escrever por um tempo, porque eu não tô exatamente feliz com algumas coisas e porque tá me parecendo sem propósito escrever sobre os mesmos assuntos que sempre fico patinando em volta e que, embora o blog seja meu, ninguém é obrigado a entrar aqui e ler ladainhas.

Eu tô decepcionada com algumas coisas e isso reflete muito aqui, acaba por ficar pessoal demais além do que gostaria, porque eu vazo sensações e sentimentos, daí fica só essa lamuria. 

Já me falaram que penso demais, isso poderia ser algo bom, mas como só penso coisas ruins, estrago tudo. Já me falaram que eu patino nos meus problemas, que devo agir mais e falar menos, eu concordo e também quero paz porque tô cansada de apanhar.

A intenção não é usar de coitadismo, mas eu realmente tenho a sensação que toda minha forma de lidar com a vida é errada, é muito difícil tentar mudar algumas coisas, não é tão simples como eu achava que seria, não é. Mas eu estou cansada de me sentir tão torta, tão azeda, tão negativa, tão deprimida para quem eu amo. Eu não gosto da forma que sou vista, não gosto do que tá acontecendo e acho que isso tudo reflete aqui também, então eu vou me calar, coisa que já devia ter feito faz tempo.

Vou escrever pra mim e ler sozinha até chegar em alguma conclusão. Valeu quem leu até aqui e inclusive por alguns tantos comentários que me ajudaram.

:*






A pressão e a necessidade de saber

Hoje está calor, eu gosto, dias ensolarados me deixam mais animada. No trajeto para o trabalho, no metrô, entre as linhas Imigrantes e Alto do Ipiranga, as luzes do trem se apagaram e a ventilação parou. 

Eu passei mal, minha pressão caiu. Nada grave, mas achei melhor descer na próxima estação para sentar um pouco. Desci e sentei. Tinha uma senhorinha lá, sentada usando uma blusa de lã, só de olhar para ele quase pioro.

Ela me olhou:

- Tá bem, moça? 
- Tô sim, é que tá calor demais, ficou sem ventilação no trem e minha pressão caiu.
- Você tá muito branca, quer que chamo um dos mocinhos do metrô pra você?
- Não, não precisa, só sentando um pouco já melhoro, brigada.
- Os trens tão cada dia mais cheios, eu tô aqui esperando passar um vazio.

Quis dizer para a senhora que tadinha, iria esperar muito tempo naquele horário por um trem vazio, mas apenas sorri e disse:

- É verdade, cada dia mais cheios, tudo mais cheio.
- Você é casada?
- Não...
- Quando eu tinha assim sua idade eu vivia passando mal, quantos anos você tem?
- Tenho 33.
- Ah, então não foi com sua idade, quando eu era mais nova que você, com uns 20 anos, vivia passando mal também, daí eu casei e passou.

Sorri, porque não soube o que dizer, não mesmo.

- Quando você casar, isso passa. Você vai casar, né?

Chegou um trem.

- Acredito que não - disse sorrindo - eu vou indo, já tô melhor. Bom dia pra senhora, tchau.

- Tchau, filha, se cuida, bebe água.

Cheguei no trabalho, tô aqui escrevendo, tomando um chá gelado que comprei e pensando em como a vida, de alguma forma, talvez fosse mais simples antigamente ao dividi-la entre antes e depois de um casamento e, de como a frase "quando casar passa", deve cair em desuso gradativamente por total falta de sentido, como tantas outras coisas.

Talvez a vida sem a tentativa de dar sentido para tudo seja mais simples afinal. Desde os primórdios, na tentativa de explicar coisas, criamos Deus. Talvez o sentido das coisas se perca na tentativa de explicar o que não carece de explicações, dessa necessidade em saber e controlar.

Espero que minha necessidade de saber e controlar as coisas também caiam em desuso, quero parar numa estação e vê-las indo embora, talvez mandá-las para Jundiaí, pela linha Rubi, bem longe de mim, não vou nem dar "tchauzinho", apenas vou desejar mentalmente que façam uma boa viagem e que não importunem ninguém, como fazem tanto comigo.

Vou deixar o mapinha aqui para ensinar o caminho.




29 de outubro de 2014

Eu percebo a gravidade de como estou quando sinto que preciso escrever muito, talvez pela covardia de não conseguir falar. Daí escrevo. Não que seja a melhor forma de lidar, mas é a que conheço.

A outra forma que conheço de lidar é dormindo, coisa que devo fazer logo mais.

Embora tem um choro preso que não sei
nem como chorar.


Um querer sem cabimento

Eu ando com muito, mas muito siricutico por mudanças, às vezes parece que vou sufocar, nem sempre consigo ser resiliente, fico triste, quero bater o pé e gritar com o mundo que não me dá tudo o que quero, que não deixa eu chegar onde quero. Fico também chateada por não ter ajuda, por não ter uma alminha que "opa, vem cá, te ajudo a conseguir".

Fácil culpar o mundo, né? Talvez se eu tivesse nascido de família rica, talvez se eu tivesse estudado mais, talvez se eu tivesse guardado toda minha grana em vez de viajar, talvez se eu tivesse 3 empregos, talvez fosse diferente.

Tem algumas pessoas que falam que confiam em mim, que eu sou capaz, que eu posso, que eu vou dar um jeito, sei que falam isso para me incentivar, mas é meio cansativo corresponder a tanta expectativa. Porque eu tô bem acostumada a conseguir tudo meio que sozinha, mas às vezes queria só uma ajuda além de um tapinha nas costas, queria uma ajuda prática mesmo.

Mas é óbvio que esse meu querer não tem cabimento, mas eu queria. Existe um mérito muito bonito em conseguir as coisas sozinha, em bater no peito que é tudo resultado do próprio esforço, que você não precisou de ninguém. Mas afinal, é tão ruim assim querer ajuda de alguém?

23 de outubro de 2014

Miscelânea

Eu já sei que criar expectativas não é bom, a vida diz isso, as pessoas e toda a internet afirmam o mesmo. Mas sabe, eu acho que não é bom criar muita expectativa, mas sei lá, criar nenhuma também acho meio descaso.

Se não tem expectativa alguma, um propósito, uma aspiraçãozinha do que pode vir a ser, qual o motivo? Eu não sei se isso é coisa de gente controladora, mas expectativa zero me dá a sensação de que tô remando para o vazio, eu gosto de remar sabendo que minha vida depende disso ou que lá na frente tem algo me esperando, remar por remar, não me motiva, eu acabo querendo dormir em alto mar e posso até morrer afogada, já que nem sei nadar.
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Eu sei que tenho uma tendência a ser briguenta, a discutir, a criar caso só por diversão, só porque eu gosto de testar meu poder de argumentação. Sou meio arrogante assim e acabo arriscando muito por isso às vezes e também porque o silêncio me deixa entediada, eu aprendi que é melhor queimar no uso, que mofar guardado, e eu me queimo falando tudo o que penso, e também queimo os outros assim. Possivelmente eu aprendi isso errado, certos pensamentos têm mais serventia mofados.
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Domingo tem eleição, os ânimos estão alterados e eu acho que também estou. Democracia é fácil quando vai de encontro ao que você pensa, quando você percebe que a realidade pode não corresponder a sua expectativa, ficamos bravos e ofendidos pelas ideias opostas, me incluo nessa. Mas tô tentando respirar e respeitar ideias que parecem avessas ao que penso. O mundo não iria girar se pensássemos todos iguais. A propósito, como em 2010, voto na Dilma, como justifiquei aqui e meu pensamento não mudou muito. 
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Ah, sim. Agora eu tenho 33 anos, não sei o que isso significa, acho que nada, apenas que fiquei mais velha. Teve aprendizado? Teve sim, claro, e isso é bom, mas teve também muito desapontamento, muita resiliência, nem sempre obtida com facilidade. Ainda tem bastante frustração, ainda tem bastante medo, insegurança e vontade de chorar no meio da tarde. Ainda tem isso tudo, isso tudo que talvez seja eu, que talvez eu não queira mudar, já que me acompanha por 33 anos. Ainda tem eu rindo de mim mesma com 15 anos, porque imaginava que quando fizesse 30 seria uma mulher muito madura, muito certa do que quero e de quem sou. Hoje, a única certeza que eu tenho é de que a pessoa que me imaginei quando adolescente, simplesmente nunca irá existir. E tudo bem sobre isso. Tudo bem.





15 de outubro de 2014

Medinho

Às vezes eu penso ou vejo algo bobinho e quero contar, quero mostrar pra ele. Normalmente são coisas relacionadas a "nós", mas daí fico com medo de parecer indireta, cobrança ou qualquer coisa do gênero.

Como quando eu mandei um site que vendia alianças com os dizeres "Moon of my life" e "My sun and stars", do Game of Thrones e também do Harry Potter, mandei porque achei incrível o nicho criado, mas assim que enviei, achei que pareceria uma indireta maluca de uma pessoa que quer uma aliança, mas nem era, mesmo porque, já usei bastante tempo uma e tudo o que ela me trouxe foi uma marca chata no dedo, não existe uma serventia real. Há quem fale de ato falho, eu sei, mas não acho que seja o caso. 

Eu tenho uma tendência de conjugar muito o "nós", não sei até que ponto isso é seguro, até que ponto isso é invasivo, até que ponto isso me invade. Não sei se isso é bom. Não sei mesmo.