30 de novembro de 2016

Isso aqui virou um espaço particular apenas para minha tristeza. Quase chega ser segredo. Não é, eu sei. Mas quase acredito que é, tamanho o silêncio aqui. Só escuto os grilos deprimidos dos meus pensamentos.

Óbvio que vim escrever porque estou chateada, mas isso não importa muito, sobretudo porque eu desisti depois de reler minhas últimas pastagens.

Grilos deprimidos seria um ótimo nome para um blog. Ou alguma outra coisa.

25 de agosto de 2016

Assombração

Sabe quando parece que você pegou um atalho para tudo de mais errado?

As ações são ruins, os pensamentos péssimos e os resultados obviamente são medonhos.

Essa semana está assim, não importa o quanto eu tente, só estrago tudo. Só me sinto uma merda e faço quem está do meu lado sentir igual.

Em períodos assim, tudo o que cresci escutando sobre mim, me assombra.

Sou chata, azeda, solitária, grosseira, rude e com certeza deveria agradecer por qualquer pessoa querer estar ao meu lado, porque uma pessoa como eu, não é fácil aturar, não vale a pena.

Todas essas falas, todas elas juntas agora, na cama comigo e eu tentando me aquecer e esquecer. E falhando, como fiz a semana inteira.

20 de maio de 2016

Pequena

Dormir com a sensação de ser uma pessoa ruim, uma pessoa menor, de pouco valia, que não sabe mudar, que só reclama, que se entristece, que chateia quem está perto. Uma pessoa assim, uma pessoa que eu não queria ter perto, é o que sou em alguns momentos, hoje sobretudo.

27 de março de 2016

Outra

Na maioria dos dias eu gosto de quem eu sou, mas às vezes, devido algumas circunstâncias, eu gostaria de ser diferente, queria ser outra.

Não é algo que pode dizer apenas "então muda, ué", é algo mais intrínseco, é mais difícil, talvez porque eu queria não ser "eu" e para isso não tem muita mudança, né?

Algumas vezes fantasio pensando em como seria não ser eu, ter outros defeitos que não os meus, outras inseguranças que não as minhas. Fantasio que ser outra pessoa seria melhor. 

E se eu fosse mais bonita? E se eu fosse magra? E se meus peitos fossem menores? E se eu fosse uma pessoa genial? Dessas que ganham prêmios com 15 anos?

E se eu fosse uma dessas pessoas totalmente seguras de si? Ou se pelo menos eu fosse uma dessas pessoas que conseguem fingir que são totalmente seguras de si? 

Eu sei que é mentira, mas penso nesses absurdos, se eu seria mais feliz se fosse diferente do que sou e o que aconteceu para me tornar quem eu sou? Porque não sou melhor do que sou? Em que momento eu duvidei de mim e acreditei que não sou boa o bastante? Quando isso aconteceu? Foi na infância? Foi na adolescência? Ou será que nasci assim? Porque não consigo ser de outra forma?





11 de dezembro de 2015

Eu comecei a minha sessão de terapia chorando e, quando sai de lá e andei para longe, eu chorei de novo.

Eu coloquei os fones e fui para casa escutando música, eu queria tapar a boca dos meus pensamentos que não paravam de falar e me faziam chorar. Eu consegui parar de chorar.

Eu cheguei em casa e me ocupei, tentei não ficar sozinha comigo mesma e consegui. Eu não queria chorar.

Eu fui dormir, porque tinha sono e não queria chorar.

Eu não chorei, mas também não tive um sono bom. Acordei querendo que tudo tivesse sido um engano. Não foi.

Não há fuga que suma com algo que fez parte da sua história, é o que aprendi hoje às 5h40 de uma manhã.

25 de outubro de 2015

Evitar um coração

"... estou apenas começando a entender - não escolhemos nosso próprio coração. Não temos como nos forçar a querer o que é bom para nós ou o que é bom para outras pessoas. Não escolhemos ser as pessoas que somos."


Mas eu queria, como eu queria escolher quem eu sou, como é meu coração, como são meus sentimentos mais vergonhosos, minhas inseguranças mais pequenas, minha estupidez em chorar escondida enquanto tomo banho. Como eu queria escolher plenamente quem sou, escolher em ser a melhor pessoa, a pessoa certa.



"Não se trata de aparências externas, mas de significado interno. Uma grandeza no mundo, mas não do mundo, uma grandeza que o mundo não entende. Aquele primeiro vislumbre de alteridade pura, em cuja presença você floresce mais e mais e mais. 

Um eu que não se quer. Um coração que não se pode evitar."


Mas eu gostaria de evitar, muitas vezes gostaria de evitar meu coração.

*Trechos do livro O Pintassilgo, de Donna Tartt.

8 de outubro de 2015

De tempos em tempos

De tempos em tempos eu me sinto uma pessoa péssima, me sinto pequena, me sinto menor, um pouco errado além do tolerável. 

De tempos em tempos eu crio pra mim mesma uma espécie de lista mental de coisas que não posso falar ou fazer, porque não quero chatear as pessoas.

De tempos em tempos eu chateio as pessoas, porque não consegui manter a lista.

De tempos em tempos eu confio que vou conseguir deixar velhos hábitos para trás.

De tempos em tempos eu repito velhos hábitos.

De tempos em tempos eu não gosto de mim e me esforço para gostar.

De tempos em tempos eu gosto de mim, até fazer algo que me sinta pequena de novo.

De tempos em tempos eu escrevo aqui, porque é um espaço pequeno, como as vezes me sinto e porque é compartilhado com um grupo pequeno, no qual não tenho medo de me mostrar pequena, ainda que seja apenas uma sensação igualmente pequena.

Tudo muito pequeno.