15 de abril de 2014

As palavras

Ele disse:

- Você se apega demais às palavras, são só palavras, o que eu sinto é muito mais.

Na hora, ela concordou e sorriu, realmente se apegava demais às palavras.

Mas depois de alguns dias ela ficou pensando naquilo e percebeu que talvez seja inocência esperar que alguém como ela, que inclusive escolheu fazer das palavras seu ofício, não fosse apegada às palavras.

As palavras sempre estiveram lá, nos momentos mais tristes e nos mais felizes, sempre fizeram companhia, elas, sempre elas. 

Não era apego pelas palavras, era amor mesmo. Amor de uma vida toda.


14 de abril de 2014

Sacudir pensamentos

Sabe quando um mosquito voa perto do seu rosto e você balança a cabeça e muitas vezes até usa as mãos para afastar o dito cujo? 

Então, ultimamente eu tenho balançado bastante a cabeça, mas não para afastar mosquitos, mas pensamentos. Sei que pode parecer loucura, mas às vezes externar as coisas assim ajuda. Da mesma forma que escrever tem esse poder, sacudir a cabeça em tom de "sai daqui, coisa ruim! sai, xô, xô" também funciona.

Então, fica o aviso: se você me ver na rua sacudindo a cabeça, pode ser a música do meu fone ou algum pensamento chato, ok?

11 de abril de 2014

Resiliência

Eu escrevi um texto imenso reclamando de algumas coisas.
Eu escrevi um texto imenso reclamando de algumas coisas e reli 2x.
Eu escrevi um texto imenso reclamando de algumas coisas, reli 2x e repensei 3x.
Eu escrevi um texto imenso reclamando de algumas coisas, reli 2x. repensei 3x e apaguei.
Eu escrevi um texto imenso reclamando de algumas coisas, reli 2x, repensei 3x, apaguei e escrevi: "Eu escrevi um texto imenso reclamando de algumas coisas, reli 2x, repensei 3x, apaguei".

Às vezes a repetibilidade de uma reclamação te faz perceber que não adianta muito reclamar.

Palavra para lembrar e mantra para repetir no final do dia:

Resiliência (s.f.)
Habilidade que uma pessoa desenvolve para resistir, lidar e reagir de modo positivo em situações adversas.

9 de abril de 2014

A mudança e você mudando - Parte II

Sabe, estava pensando que quando nos falam para sermos nós mesmos, eu acho que é pelo pressuposto que a pessoa que recebe essa dica é alguém sensacional, ou sei lá, o Batman. Na verdade ser "você mesmo" não é muito fácil.

Eu cheguei num segundo momento da minha vida que preciso mudar, mudar porque simplesmente não aguento mais passar por algumas coisas, porque não aguento inclusive a culpa que sinto quando eu sou "eu mesma" e como eu deixo algumas pessoas chateadas e tristes, só por ser eu assim, meio confusa, meio insegura, meio instável.

Eu não sou muito fã de mudanças, normalmente eu me assusto, eu não sei ser a pessoa divertida que vê como oportunidade logo de cara, eu fico apreensiva, eu tenho medo, sou assim, não sei se isso é ser fraca ou só humana.

Na verdade eu só sei que tá vindo uma jornada longa por mudança, e de tudo isso, só o que eu tenho certeza é de que vou me cansar muito pelo esforço que vou fazer, eu espero realmente que os resultados compensem e me ajudem a ser uma pessoa melhor.

E assim eu volto para o ensinamento:

"- Como eu mudo? Não sei como colocar a mudança em prática.
Ela me respondeu:
- Não existe isso, só existe a mudança e você mudando."

8 de abril de 2014

O biscoito

Às vezes me sinto como naquele desenho que a vida que te dá um biscoito, aí você fica feliz, depois ela toma de volta e ainda te dá bicudas.

Eu sei que não existe felicidade plena, que é um conceito e tal, eu nem tô infeliz ou triste, não é nada disso, eu tô bem, mas eu queria ficar com o biscoito só por um pouco mais, sabe? Só isso.


1 de abril de 2014

Meu pequeno monstro

Eu convivo com um monstro e ele fica mudando de tamanho, forma e força. Normalmente até que vivemos bem, eu alimento ele de vez em quando, dou uma atençãozinha básica, faço um cafuné, eu até cuido, mas têm dias que ele tá de fato monstruoso, cresce do nada e fica agressivo.

Exige muita atenção, me morde e me machuca, se eu tento prender, me derruba. Normalmente nesses períodos ele ganha muita força e eu não consigo segurá-lo.

Eu meio que me acostumei com ele, mas quando ele fica assim é difícil controlar, sobretudo porque ele acaba atacando quem tá perto de mim também, ataca quem eu amo, quem me faz bem. 

Então agora eu tô fazendo assim, deixando ele de castigo, sentadinho. Todo dia eu passo por ele, todo dia eu mando um beijo de longe para ele não ficar muito carente e muito bravo, mas tô evitando chegar muito perto, sabe? Eu sei que temos uma relação longa, mas ele é possessivo demais, então ele tem que mudar.

Eu sou obrigada a conviver com meu monstro, mas ninguém tem essa obrigação, né? Sobretudo se ele não souber se comportar. Espero que dê resultado e que ele seja mais educadinho daqui pra frente.


Morose | Illustrator: Mikrotom

31 de março de 2014

Mimimi de boas intenções

Uma coisa que é preciso entender é que nunca, em hipótese alguma, diminuir o problema do outro vai ajudar em alguma coisa, por mais que você o ache ínfimo, pequeno ou babaca. 

Coisas como "pra que isso?", "não fica assim por causa de bobeira" ou ainda "chega de mimimi" não ajudam em nada, na verdade, ainda que a intenção seja boa eu espero que a máxima sobre boas intenções seja de conhecimento de todos.

Então para você que veio aqui na madrugada do sábado postar anonimamente para que eu pare de mimimi, peço que se lembre do ditado sobre boa intenção, se é que ela foi boa, e que faça uma boa viagem.

[Ah, sim. Eu sei que eu supostamente escrevo o que quero e leio o que não quero, que é esta a regência do blog por princípio, mas de toda forma o espaço é meu.]