18 de setembro de 2014

Concomitantemente

Quando eu dou mancada, seja estando meio azeda ou brigando mesmo, sempre fico com medo. 

Na verdade é uma mistura de medo com culpa. 

Culpa por não ter me controlado e medo de causar mais canseira do que alegria.

Daí eu fico meio flutuando entre esses sentimentos. 

Falta menos de um mês para o meu aniversário, mas eu sei que isso não é inferno astral. Uma pena, tão mais fácil poder culpar fatores externos incontroláveis.

Mas não, eu sei que sou eu. Apenas eu com toda consciência de que posso mudar e com toda consciência de que posso falhar. 

Ambos vêm acontecendo, mudanças e falhas. Quase concomitantemente.

Concomitantemente é uma palavra muito feia.

Seria bom se pudéssemos reduzir algumas coisas às palavras, por exemplo, medo seria apenas uma palavra curta e culpa seria só uma palavra feia.

Embora nessa lógica, amor seria só uma palavra bonita, companheirismo uma palavra pouca usada e alegria seria só uma palavra para rimar com dia.

Melhor deixar como está, melhor que palavras e sentimentos sejam usados concomitantemente. Não rimou, mas pelo menos consegui um bom uso para uma palavra tão feia. 


6 de setembro de 2014

- você acha que vale tanto esforço?
- acho, eu preciso melhorar.
- mas melhorar pra quem se você fica mal do mesmo jeito?
- ... vou dormir.

E foi, dormindo não se pensa tanto.

27 de agosto de 2014

Basta não ser

Eu não gosto de usar TPM como alegação para algumas coisas, me irrita a ideia de perder o controle por conta de hormônios, mas me irrita mais ainda uma onda de insegurança maluca que me faz quase chorar do nada.

Daí que eu ia escrever como fiquei chateada porque uma blusinha ficou mega esticada nos meus peitos, em como é difícil ser insegura às vezes, mas mudei de ideia e resolvi falar sobre como dá para mudar quando a gente realmente quer, se tiver uma ajudinha então, é melhor ainda.

Um amigo comentou aqui num texto que muitas vezes, nos acostumamos com uma característica própria e a tratamos como algo definitivo, por exemplo ao dizer "eu sou insegura", é como se com essa afirmação, viesse a obrigação em ser exatamente assim, afinal mudar pode comprometer a definição que temos de nós mesmos.

Dá para mudar sim, mas temos essa tendência de ficar repetindo aquilo que nos legitima como pessoa perante nós mesmos. 

Eu cresci me sentindo insegura, mas eu não preciso mais ser.
Eu sempre escutei que sou chata, mas eu posso não ser.
Eu aprendi que ciúme é demonstração de amor, mas não precisa ser.
Eu acostumei a me depreciar, mas eu não preciso mais fazer isso.
Eu acreditava que tinha tendência à tristeza, mas eu não preciso mais ter.

Se eu não quero ser de determinada forma, é só não ser, não existe nada que me obrigue a ser imutável, a não ser eu mesma.

12 de agosto de 2014

Um corpo sem adversativa


Ontem eu vi uma imagem de um tutorial de desenho, de como desenhar o corpo feminino e mostrava os diversos modelos existentes. Meu corpo não estava lá.

Fiquei um pouco confusa, olhei de novo, pulei a sessão de corpos magros, porque definitivamente eu não estaria lá, mas eu também não estava na sessão das gordas e nem gordinhas. Meu corpo não é padrão em nada pelo visto.

Confesso que num primeiro momento eu fiquei meio xoxa, é bobeira, mas me incomodou não me ver ali, não ter um corpo que se encaixe nos tantos tipos disponíveis e reconhecidos.

A gordinha que tinha lá era gostosona demais, nada a ver comigo. A gorda tinha coxas muito grossas, diferentes das minhas e uma outra tinha o quadril muito largo, também diferente do meu, ambas tinham seios médios, diferentes dos meus. Se até num desenho é tudo padronizado, é realmente difícil não se deixar afetar em algum momento, não se sentir meio fora do contexto.

Mais tarde, já em casa, quando sai do banho, fiquei pelada na frente do espelho, fiquei ali me olhando, vendo meu corpo.

Meu corpo que me leva para os lugares, meu corpo que me faz sentir frio, calor, que me faz ter tesão, que me deixa gozar, meu corpo que corre, que dorme, que desperta preguiçoso, o corpo que eu tatuei, meu corpo que num todo me deixa amar, meu corpo que provoca tesão, meu corpo que me deixa tomar sorvete, que me dá o prazer de ser massageado, meu corpo todo que não define quem eu sou, mas também é tudo o que eu sou. 

Por 32 anos meu corpo tem feito tudo o que eu preciso, não tenho do que reclamar. Eu gosto dele como ele é, sem adversativa nenhuma. 

8 de agosto de 2014

A culpa

A culpa é um bom combustível, eu sei que não é o melhor método, mas é o que tem para o momento.

Para não ter que lidar com a culpa de ter me prometido algo e falhar, eu tenho feito esteira todos os dias.

Para não ter que lidar com a culpa de ter prometido ser menos insegura e falhar, eu tenho me controlado para não escancarar tudo o que sinto.

Para não ter que lidar com a culpa de chatear quem eu amo, eu tenho ficado quieta.

Para não ter que lidar com a culpa de que eu sou como sou puramente porque quero, eu tenho me esforçado para me aceitar mais e, mesmo com toda culpa, venho tentando me cobrar menos.

Claro que eu preferia não me sentir culpada, mas nem tudo é perfeito e isso não é culpa minha.

7 de agosto de 2014

Sobre ser SP

Um dia lindo, com sol e céu bem azul, uma alegria meio boba, que te faz rir de graça. Daí o tempo vira, esfria, fecha e chove. E os ventos trazem umas lembranças ruins, coisas que te deixam meio triste, um pouco chuvosa.

Alguns dias são como São Paulo, na mesma cidade, num mesmo dia, você se depara com uma variação de tons e sentimentos que mudam sem aviso. E quando vem a chuva, num dia que começou lindo, só te resta a descrença, mesmo sabendo que a previsão disse que em algum momento iria esfriar. Porque a previsão erra, eu erro e São Paulo também.

Sou natural de São Bernardo, mas tem tanto de São Paulo no que sou, que quando falo da cidade, não sei se é dela ou de mim que estou falando.

Na verdade, acho que todo mundo tem um pouco daqui, mesmo não tendo estado por aqui. São Paulo deveria ser uma condição de espírito, não apenas uma cidade. Falaríamos algo como "hoje estou meio SP" e seria fácil entender como a pessoa estaria se sentindo.

4 de agosto de 2014

Quem muito ri

Não me peça para ser madura, para não ficar triste, porque ao pedir isso, você tá pedindo para que eu não me importe e eu me importo.

Me importo a ponto de querer chorar no trabalho ao lembrar como foi difícil da última vez. Eu sei que talvez para você não tenha tido o mesmo peso, mas para mim teve e só de pensar que passarei novamente por isso e possivelmente tantas outras vezes, meu coração aperta, fica pequeno e me deixa triste demais.

Talvez realmente me falte a maturidade que você tem em não sentir tanto quanto eu, em conseguir não se afetar, ou pelo menos controlar melhor, infelizmente eu ainda fico assim e acho que não vou me acostumar e nem mudar tão cedo.

Eu acordei hoje tão feliz, tão bem humorada, sobretudo para uma segunda-feira. Tô aqui pensando no ditado que diz que quem muito ri, acaba chorando. 

Os ditados existem por um motivo, né?