4 de janeiro de 2012

Administração de Deus

Desde sempre eu quis fazer Jornalismo, não lembro bem quando foi o estopim, mas creio que o mais próximo que já cheguei tem relação com Iron Maiden, mas isso foi escrito aqui. Entretanto, na jornada para conseguir tal feito, eu fiz História e parei, ainda lamento isso, é um curso apaixonante, mas antes fiz técnico em Administração de Empresas, oi? É, pois é, um dos mistérios da minha vida. Tentei lembrar qual foi a linha de raciocínio que me levou a tal coisa e a lógica era que, com o curso eu conseguiria um trampo melhor e, consequentemente teria grana para pagar Jornalismo. Taí, mais um das grandes ideias que tive e não teve nenhum Pedro para me mostrar que era cilada.

Eu dei essa volta porque ouvi Marisa Monte hoje e lembrei de um dos micos da minha vida, ele está diretamente ligado ao bendito curso e quero compartilhar, sei lá porque, na verdade acho que é porque tive um ataque de riso no banho agora pouco lembrando.

Perto do término do curso, o professor que era também o coordenador, teve a ideia de fazer um amigo secreto. O nome dele era "alguma coisa de Deus", tipo "José de Deus"[essa informação é importante para o contexto da história]. Eu, que nunca me senti muito parte de grupo algum e passava por uma fase "Preciso me encontrar" resolvi entrar.

Não lembro quem eu tirei, mas lembro que pedi um CD da Marisa Monte. O amigo secreto foi indo, indo e eu lá, sem presente e o homem lá de Deus com um presente. Eu angustiada porque não tem coisa pior que ser a última a sair no amigo secreto, sempre tenho a constante sensação de que vão acabar as pessoas, os presentes e vão me olhar e falar "Hummm, poxa, hein! Te esqueceram, toma aqui uma bala".

Bom, aconteceu meu pesadelo, eu fui a última. Restavam na sala eu, sem presente e o professor, com um presente, ao passo que para me poupar de qualquer constrangimento comecei a me adiantar de leve, como quem diz "tá, já sei que você me tirou, entrega essa merda logo" mas num ímpeto do Capeta o professor ergue a mão e me manda ficar no meu lugar.

Pânico! Pânico na zona sul [tô cheia de referências hoje] meu coração palpitou, pensei que dali em diante procuraria uma terapeuta, o trauma da pessoa sem presente, eu sentindo que estava ficando vermelha, todo aquele bando de pseudos-administradores me olhando, aqueles olhos contábeis contando meus segundos, foi horrível, mas não estava preparada para o que viria.

O professor, fulano de Deus, caminhou até o centro do círculo de pessoas, me olhou nos olhos [juro] perante todo mundo e declamou:

"Milla...
Agora vem, pra perto vem
Vem depressa, vem sem fim
Dentro de mim
Que eu quero sentir
O teu corpo pesando
Sobre o meu."

Com um sorriso cretino, me chamou com as mãos e disse "vem pegar seu presente" e me abraçou ao som de um bando de gente fazendo "aeeee, uhuuuuu, ihhhh, óóó já era" e todos os sons dos quais eu fugi pela adolescência inteira. Não preciso nem falar na quantidade de piadas que ouvi falando sobre eu aceitar o corpo de Deus e derivados, preciso? E ainda perguntam porque sou atéia.

4 comentários:

Janaína Pupo disse...

Noooooossa e vc nunca me contou essa vergonha! hahahahaha.

Milena disse...

HAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAH eu tenho um amigo da família 'de deus' e ele tem uma ótima história sobre o sobrenome dele e o que ele significa em algum idioma estranho da europa. pois é, deus. esse danado!

;]

Gharcia disse...

^_^
Que triste... "depois de tudo ainda ser feliz."
Eu fiz técnico administrativo
E dei de presente um CD da Marisa Monte. Mas era o "Mais".
E eu não era professor. E não faria isto com ninguém.
Mas já fiz coisa pior por pessoas que querem esquecer que eu existi.
C'est La Vie Amie.
[Vc ainda tem o CD?]

Antônio LaCarne disse...

uma delícia de leitura é o teu blog.

:)