13 de setembro de 2011

A [minha] natureza

Um dia no parque, pé na grama, uma turma descalça e cantando juntas. Violão, um bongô, quem sabe. Um cigarrinho [qualquer tipo], o solzinho batendo nas costas. Os caras de bermudas e as meninas de saias longas, muitas cores, cabelos soltos, borboletas, um vinho ou uma cerveja. Sair da correria que é nossas vidas, do cinza, das ruas, do frio e do concreto dos prédios. Deixar a natureza te cercar, sabe como é?

Então, eu sei e odeio. A minha versão do dia no parque é mais ou menos assim:

Com os pés descalços, vou pisar em qualquer coisa estranha que machuque. Pode ser até um porco espinho, tá, não existem porcos espinhos nos parques de São Paulo? Mas aposto que eu acharia um. A turma tocando desordenadamente me irritaria em poucos segundos cantando qualquer coisa hype ou Legião Urbana. A saia longa enroscaria em algum galho e rasgaria e, como não pratico o desapego, ficaria puta. As borboletas ou qualquer outro tipo de inseto me atacariam, eu sairia berrando e, talvez, fosse aí que pisaria no porco espinho. Se eu tomasse cerveja, ia querer fazer xixi a todo instante, mas não teria banheiro e se tomasse vinho, teria dor de cabeça. Fim.

Viu? Esse é meu dia no parque com a turma, eu já tentei, me senti mal por não parecer adequada em não gostar, mas é esse o fato, não gosto. Eu sou primariamente urbana. A cidade é feia? O concreto é cinza? Sem graça? Bom, opiniões divergem desde sempre. Eu acho o parque bonito, acho a natureza bonita e a respeito e, justamente por isso, não interajo, porque ela quase sempre me incomoda, assusta e me faz querer gritar. Já a cidade não me faz querer gritar, eu me sinto acolhida, me reconheço, fico tranquila.

Eu gosto de subir no alto dos prédios para ver o céu poluído de São Paulo, gosto de andar na avenida e ver a pluralidade das pessoas. Eu sou uma grande humanista, sou fã do homem e daquilo que ele constrói ou desconstrói [muitas vezes destrói, eu sei]. Cada um escolhe o zoológico que visita ou, com sorte, em qual se vive, eu escolhi o meu.

2 comentários:

Gharcia disse...

Eu aplaudi o seu texto.

Eu trabalho numa empresa onde as coisas são feitas as pressas e as decisões são tomadas nos últimos minutos. // 24 Horas. A série.

Então, o Turn-over daqui é alto. Mas eu consigo ter um contato humanos com as pessoas.

Assim, enquanto duzias delas saem, eu fico.

E elas saem e me mandam uma mensagem no melhor estilo "Vc precisa viver".
Mas eu vivo bem aqui. Nesta empresa maluca, com horário maluco, exigências demais e prazos desumanos.
Porque eu consigo. Eu nunca esperei nenhuma moleza quando decidi sair de casa pra ganhar dinheiro. Então, me adaptei e me adapto a cada dia e a cada nova pessoa. Sou feliz assim.

Acho bonito da parte delas, mas eu não gosto de praia. Eu não fui e nem vou pra praias do nordeste.
É longe e, sem óculos, areia e mar são o mesmo em qlq lugar da costa.
E eu não vivo em um comercial de cerveja. Nem gostaria. Eu gosto de cerveja e gosto de mar, gosto de areia. Por um dia. Pra sair da rotina. E ter o gosto de voltar pra cidade.

E, afinal eu não preciso ter razão. Eu preciso ter sossego. Eu fui criado no centro de SP. Eu sei tudo de ruim no centro de SP. Mas, por isto mesmo, eu sei onde encontrar o que tem de bom. Coisa que eu não faria num lugar onde só tem areia e mar.

Seus textos me fazem pensar... grato! ^_^

Milena disse...

acho bonito isso. a beleza tá onde você quer que ela esteja, mesmo que seja onde ninguém vê. e quem se importa? ;*