17 de julho de 2015

Um sentimento pequeno

Assim como todo mundo, eu tenho os meus defeitos. Eu tenho tentado aprender que a perfeição tá na imperfeição, que que é ok eu apresentar essas falhas que eu tenho, mas às vezes eu simplesmente gostaria de ter outros defeitos, diferente dos que eu já tenho.

De forma clara e direta, eu sinto ciúme. Não me acho uma lunática, não me lembro de ter feito cena ou nada escandaloso, mas sim, admito aqui, sou essa pessoa ridícula que sente ciúme. Porque é isso o que todo mundo fala desse sentimento, que além dele ser ruim, é besteira, é bobo, é burrinho.

Em diversas situações eu sinto e não apenas em relacionamentos amorosos. Eu descobri que tenho ciúme, por exemplo, da forma como sou tratada diferente pelos meus pais, se comparada à atenção dada à minha irmã. Me sinto meio de lado e já me chateei bastante com isso, mas hoje eu tento entender as coisas por outro viés e, sobretudo, tento entender que nunca terei a mesma atenção.

Eu imagino que talvez pensem que uma mulher de 33 anos sentir isso é muita imaturidade e talvez seja mesmo, mas cansei de fingir que não sinto. Eu sinto.

Na maioria das vezes eu consigo controlar, mas inevitavelmente em algum momento eu mostro a cara do que senti e quase sempre me sinto a pior pessoa por isso, porque aparentemente as pessoas que convivem comigo não sentem o mesmo, e julgam automaticamente o que sinto como algo infantil e bobo.

Em sentir ciúme entendemos infantilidade, dificuldade em separar o real do imaginário, insegurança, autoestima cagada e uma porção de coisas vistas apenas em pessoas fracas. Defeitos que não compõem alguém equilibrado.

É feio sentir ciúme, todo mundo diz isso, todo mundo trata dessa forma. É um sentimento pequeno, coisa de gente pequena e eu tô me sentindo exatamente assim por esses dias, pequena. Porque eu não sei o que fazer com isso, porque não sei como sumir com isso e não consigo mentir e dizer que vou mudar, porque não sei como deixar de sentir algo.

Eu consigo racionalizar, que é o tenho feito há um bom tempo, mas não consigo não sentir e, justamente por ser um sentimento, nem sempre consigo controlar. Talvez falam que é um sentimento infantil porque o ciúme é justamente como uma criança, você tenta educar, controlar, mas em algum momento a criança vai correr no meio do salão, vai gritar e te fazer passar vergonha, mostrar que você é fraca, é conivente com aquilo e não consegue educar sequer uma criança, tão menor que você. Sequer um sentimento, tão menor que você.


2 comentários:

Penny Lane disse...

Vc me definiu em seu texto.

LAÍS LEMOS disse...

Assumir e tentar lidar com os sentimentos é demostração de força. A sociedade é o "fraco" nessa história.