18 de setembro de 2014

Concomitantemente

Quando eu dou mancada, seja estando meio azeda ou brigando mesmo, sempre fico com medo. 

Na verdade é uma mistura de medo com culpa. 

Culpa por não ter me controlado e medo de causar mais canseira do que alegria.

Daí eu fico meio flutuando entre esses sentimentos. 

Falta menos de um mês para o meu aniversário, mas eu sei que isso não é inferno astral. Uma pena, tão mais fácil poder culpar fatores externos incontroláveis.

Mas não, eu sei que sou eu. Apenas eu com toda consciência de que posso mudar e com toda consciência de que posso falhar. 

Ambos vêm acontecendo, mudanças e falhas. Quase concomitantemente.

Concomitantemente é uma palavra muito feia.

Seria bom se pudéssemos reduzir algumas coisas às palavras, por exemplo, medo seria apenas uma palavra curta e culpa seria só uma palavra feia.

Embora nessa lógica, amor seria só uma palavra bonita, companheirismo uma palavra pouca usada e alegria seria só uma palavra para rimar com dia.

Melhor deixar como está, melhor que palavras e sentimentos sejam usados concomitantemente. Não rimou, mas pelo menos consegui um bom uso para uma palavra tão feia. 


Um comentário:

Winnie Affonso disse...

Acho que o segredo é transformar a culpa e o medo em motivação pra diminuir as nossas mancadas. É um puta processo difícil e por vezes doloroso, mas é só assim que a gente cresce, evolui, deixa pra trás o que não serve mais.
E tem sempre um novo dia depois daquele em que cometemos um erro do qual tentamos tanto evitar. De tanto tentar, uma hora a gente abandona de vez.

(É engraçado como me identifico tanto com seus textos... (: )