29 de março de 2011

O meu querer

Fico em alguns momentos pensando quando será que minha vida vai fluir, como nos filmes que acontece algo e bang! Aí sim você começa a viver, antes era ensaio. Aquelas frases prontas aparecem "Sua vida começa agora" aham, ô. Mas eu sei que não, a vida tá rolando e muitas vezes a gente taí vendo a banda passar e nem ao menos tá dançando.

Então por alguns momentos eu fico eufórica achando que não vai dar tempo e me atropelo. Eu penso que meu inglês tá ruim, que preciso estudar mais, que preciso sair do país, mas que antes disso tenho que sair de casa e lembro que preciso fazer outra tatuagem e que preciso de uma bolsa. Aí surto que me sinto carente, mas que nem sempre minha carência tem coerência e penso com calma que quero mesmo é sair de casa. Cíclica, eu sei, meus pensamentos são assim. É mais ou menos dessa forma que as coisas passam na minha cabeça, isso em alguns minutos.

Então eu paro, respiro e percebo que na verdade eu tenho medo de não ser ninguém minimamente importante para os outros. Acho que sou vaidosa o suficiente para dizer que não tenho medo de morrer, mas tenho medo de não ter feito diferença, de ter sido só mais uma. De não ter feito alguém feliz, de não ter mudado algo, além da disposição dos móveis e muitas vezes parece que não há tempo para nada, nem para sorrir sem doer o rosto, nem para ser simples. Eu queria ser simples, ser essas pessoas que tem uma felicidade limpa, sem ressalvas. Dessas pessoas que acordam dispostas de manhã e dormem bem de noite. Eu queria muito.

Querer é o inferno e eu não sei não querer, eu nunca me contento, nunca nada tá sempre bom. Eu nunca tô bem de verdade, sempre tá faltando, sempre tô insatisfeita, sempre pode ser melhor e, com frequência, acho o que tenho pouco, não materialmente falando, mas acho que conheço pouco, que vivi pouco, que me fodi pouco, que fui feliz por pouco tempo. É tudo de menos, é sempre pressa demais. Sempre correndo, mesmo parada na cadeira, corro mentalmente, é uma urgência com tudo, uma necessidade de chegar em algo. É cansativo.

Eu não quero abraçar o mundo, não quero... eu só quero conseguir me abraçar, para saber exatamente como sou e, quem sabe assim, lidar melhor comigo mesma e saber ser a voz interna que me acalma, saber ser auto-suficiente para girar com equilíbrio no meu eixo. É, acho que é isso que eu quero.

4 comentários:

Jorge disse...

Vou achar que falei pouco, mas:
Idem!

brunna disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Brunna S. disse...

Vou achar que falei pouco, mas:
Idem![2]

ps: se encontrar alguma solução que alivie essa aflição infinita, me avise, por favor...

• Yuri Kiddo • disse...

se dê uma chance e dê uma chance às coisas que acontecem, simplesmente.. o acaso traz surpresas muito agradáveis e afasta a chatice da rotina.

meu melhor conselho: se abrace, porque seu abraço é muito bom! =)